Até 24/03/2004 eu era uma reles patricinha, que conseguiu seu primeiro emprego público, graças a uma aprovação estrondosa em um concurso super concorrido...
Mal poderia imaginar que, além de viabilizar os gastos com meu casamento, e aprender novas técnicas profissionais, eu estava entrando na mais rica experiência que um ser humano pode ter!
Foi lá que aprendi a lidar com tudo... ser "mandada", coisa que foi difícil de acostumar... conviver com o coletivo, já que sempre tive tudo só para mim... viver com a "pequenês" humana... com a grandiosidade de caráter de poucos... mas, principalmente, HUMILDADE...
Para falar do Ana Rosa, vou precisar citar alguns nomes, espero que essas pessoas me perdôem... e outros não me atrevo, já que as considerações sobre eles seriam passíveis de ações por danos morais... (será que constatar fatos é ofensa?), enfim... vou de um spectro menor ao todo... espero que não fique cansativo, e que vcs entendam...
Lucia... (isso mesmo, sem acento)... a Diretora... foi a responsável, sem dúvida, por quase toda a metamorfose sofrida por mim... metamorfose inversa... de borboleta passei - a duras penas - a lagarta... ela, que a princípio, parecia ser a "pedra do meu sapato" acabou se revelando uma pessoa justa e sábia... apesar de às vezes esquecer de acionar o filtro entre a língua e o cérebro, era generosa o suficiente para admitir que errou, e se retratar... ainda bem que quase sempre em tempo, mas, ainda assim, uma pessoa - para quem não conhece - difícil de lidar... com o tempo, se transformou no meu Alvo Dumbledore... e eu, quase que literalmente, virei seu Hagrid... hehehe...
Entrei na escola mimaaaaaaaaaaaaaaaaada... com a tia superprotetora (ai que saudades) no encalço... até que um dia, não me lembro o porquê, foi me dado um "se situa" que me fez enxergar que eu poderia sim, me sentir a dona do mundo, mas lá na escola o buraco seria mais embaixo... Lucia Helena... casca dura... interior terno... justiça a toda prova... generosidade... doação em todos os aspectos... se todos os responsáveis pela administração das escolas públicas fossem como ela, não haveria espaço nem para a Sorbonne...
Atrelada à Lucia, vem a Eliana... digna de toda uma postagem... ácida... perspicaz... dona de um poder de organização, memória, inteligência e sagacidade invejáveis... ela é o modelo do que toda mulher sonha em ter/ser... mãe de uma família digna de propaganda de margarina... onde todos são felizes o tempo todo... onde o marido é um eterno apaixonado... os filhos são inteligentíssimos, educados, cultos e não são babacas! isso é incrível... ela é bem sucedida na carreira, ele ídem... mas, o que me encanta nessa pequena ruiva não é nada disso... adoraria ter uma vida como a dela... mas, o mais importante é que eu gostaria mesmo de tê-los sempre por perto... ela, Honorinho, Lívia, Matheus, e, de quebra, a toda ternura, desde que não seja contrariada, Luciana... outra graça de pessoa (acho que é genético...)
A Eliana, ou Elidiamara, como a chamo, e ela atende (o que é bem pior) é tudo de bom... boa ouvinte... bom ombro amigo... boa crítica... sarrista... uma excelente companhia para os exíguos 20 metros quadrados de uma secretaria de escola... foram tantas risadas só nossas... tantas fofoquinhas deliciosas... tanto choro (mais meu do que dela) que só nós temos consciência disso... é uma saudade constante... uma boa lembrança sempre... uma AMIGA... talvez das únicas, na própria acepção da palavra, a despeito de relacionamentos profissionais, que eu tenha feito na escola... esteve nos meus melhores momentos, assim como nos piores... e não apenas cumprindo obrigações sociais, mas sim, envolvida em toda atmosfera do que quer que estivesse acontecendo... fosse festa ou velório...
O tempo passou... Dona Isaura se foi... e o emprego, que eu cheguei a amaldiçoar, foi o que segurou a mim e ao Marcelo em termos monetários... de moradora do Residencial Rembrandt Plaza, cujo condomínio era um salário meu e meio, virei a caseira da EE "Profª Ana Rosa Zuicker D'Annunziata" (vcs lembram quando citei o Hagrid?) pois é... C A S E I R A... com todas as atribuições advindas de tal ocupação... cárcere privado voluntário... lavagem de pátio... poda de plantinhas espinhentas... roçada de quintais, etc... não vou dizer que tenha sido fácil... foi punk... mas, quando lembro daquela casinhanhá enfestadadá dicupimpimpim me dá uma saudade... foi a primeira casa MINHA... onde eu determinava o que se ia ou não fazer... onde eu administrava tudo... onde eu recebia quem e quando eu queria... fui feliz... mas tão feliz, que hoje lembro apenas das boas coisas, que não foram poucas... as más lembranças se foram junto com os calos que sumiram da palma da minha mão...
Como nenhuma situação é tão ruim que não possa piorar, chegou o dia do Má perder o emprego... isso sim, foi de enlouquecer... me vi sem saída... sem perspectiva... até que, num surto absoluto de desespero, recebi a inspiração divina de fazer o que sabia de melhor (olha o Harry aí de novo, geeeeeeeeeeeeeeente...) calma... não peguei uma Firebolt para enfrentar um rabo córneo húngaro... peguei minhas panelas, assadeiras, temperos e comecei minha alquimia... aos poucos fui enfeitiçando quem provava... e, quando percebi, só saía da cozinha durante o expediente, para tomar banho e dormir... e dormia pouco... minhas costas ardiam, mas eu estava feliz... realizada... sustentando a casa com meu suor e do Má, meu incansável companheiro... que abraçou a idéia e se tornou meu ajudante... MAIS UM APRENDIZADO... talvez o maior de todos... amor... muito amor em tudo o que se faz... e as pessoas me ajudavam... e se ajudavam... e foi uma troca tão boa... tão poderosa... que me sustentou por um bom tempo... e me deu a certeza de que, se um dia eu tornar a precisar, tenho um dom que ninguém me tira... o de saciar apetites ávidos por um bom tempero e por qualidade...
Nesse tempo de perrengue absoluto, entraram em ação duas pessoas de suma importância... Margareth e Paulo... casal 20 total... super bem humorados... profissionais mais do que capacitados... me ajudaram muito... fosse com uma palavra, com um sorriso, com um abrir e fechar de escola, ou com uma sobra da merenda, que, por mais extraordinário que possa parecer, foi o que nos salvou por um breve e negro período... morro de saudades desses dois, e, a única falha da Margô em relação a mim foi não ter feito o falado pastel de palmito, que fazia com que a boca do Paulo se alagasse...
Até agora está tudo lindo... tudo muito bom... algo bem Pollyana... mas o Ana Rosa não era só isso... haviam pessoas boas, com suas peculiaridades e pequenos defeitos algumas acima da média, com traços bem característicos, às vezes, caricatas... ex: a língua da Sônia (outro exemplo de doação... só ao próximo, não a ela...), a voz da Gilda... misericórdia... essa tbém é responsável por outro tapa na cara que a vida me deu... obrigada sempre! talvez das melhores mães que já tenham pisado nesse planeta... de filhos e de não filhos... a dona Maria... tão pequenininha... mas uma fera... forte... determinada... e a Vitória... aaaaaaaaaaaaaaaah a Vitória... manhooooooooooosa... careeeeeeeeeeeeeeeeeeeeente... querida... mais do que querida... com aquela cara dela de "quero colo"... e engraçada... affe, como ela é engraçada... a Nelly (amordavida) um amor da vida mesmo... outra mãezona e amigona... e a Lenita... com seu bumbum arrebitado... sempre na correria e falando sozinha... temente a Deus... compromissada com o trabalho e filhos... uma boa pessoa... aliás, resumindo a ópera, o Ana Rosa tem, em sua larga maioria, pessoas de muito boa índole... bom coração... boa formação... vou ficar muito prolixa de falar de uma por uma... mas tem a Adriana... a Carol (ô dupla...), a Clara... a Ana Maria Bento (essa é querida... saudades...) até a Alécia e a Benê, com toda sua seriedade... pensam que me enganam? pessoas de primeira qualidade!
Mas, como tudo nessa vida tem um lado B... vêm também aqueles que nem perderei meu tempo em citar... tacanhos... pequenos... medíocres... que, por me perceberem numa situação de fragilidade, se aproveitaram para se sobressair e me humilhar... sabe aquele lance de "chutar cachorro morto"? Pois é... foi bem o que aconteceu... pessoas que se davam o direito de gritar comigo em público... sabotar o serviço para que responsabilidades caíssem sobre as minhas costas... pessoas que não se conformavam em, mesmo eu estando tão vulnerável, ainda ter educação, berço, princípios e um bom marido... a essas pessoas, meu MAIS PROFUNDO MUITO OBRIGADA... porque, se não fosse por vocês, eu ainda estaria aí... nessa cidade, nessa escola, nessa vida... e não teria aberto os canais para o surgimento de novas oportunidades... foi devido ao seu desprezo e falta de caridade cristã que me enchi de coragem e, em dez de maio de 2008, deixei as instalações da zeladoria da escola Ana Rosa para me jogar no mundo... e, para seu desespero, está sendo muito bom! Deus está sendo mais do que generoso comigo... me deu um excelente emprego... a oportunidade de reaprender a ser filha... de estar perto dos meus... só peço ao Todo Poderoso que não deixe que a lei do retorno recaia, implacável, sobre a sua descendência... sim, sobre a sua descendência, porque, sobre vocês, de tão pequenos, como diria Celena, "NEM FÁ NEM FÚ!"
Amanhã, nesse mesmo bat canal, vou tecer algumas linhas sobre outras pessoas mais do que dignas de nota... não espero, de coração, que o alvo do desabafo do último parágrafo entenda que é o destinatário da mensagem... afinal, é necessária sutileza, inteligência e um pouquinho de perspicácia - que não estarão presentes em um dicionário de bolso - (essa foi boa...haaaaahahaha)
inté manhã!
beijos e bênçãos!
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
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